Drauzio Varella fala sobre respeito aos ateus e sobre excomunhão da igreja.



Trecho do programa "Sempre um Papo" de 21/03/09 onde Drauzio Varella fala sobre o respeito aos ateus e comenta sobre o caso do médico que foi excomungado por ter feito um aborto legal numa menina estuprada.





Menina abusada por padrasto, engravida de gêmios e sofre aborto

Arcebispo afirmou que está recebendo apoio quanto à excomunhão de todos que participaram do aborto da criança grávida

Um dia após declarar que todos os envolvidos na realização do aborto da menina de 9 anos, grávida de gêmeos, seriam excomungados, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, veio a público rebater as várias críticas que recebeu ontem de teólogos e da sociedade civil. Com o livro Catecismo da Igreja Católica em mãos, que compila os principais fundamentos teológicos do catolicismo, e apontando um dos artigos do Direito Canônico (canôn nº 1398), modificado pelo então papa João Paulo II em 1983, a autoridade eclesiástica disse que sua decisão seguiu uma norma episcopal, legalizada pelo Vaticano, e não uma idiossincrasia. "Não excomunguei ninguém. Isso é uma loucura. A ordem não é fruto de um pensamento pessoal, mas de uma doutrina da Igreja", treplicou.

Ontem, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, classificou de "lamentável" a posição contrária do arcebispo à realização do aborto na manhã da última quarta-feira, no Cisam, na Encruzilhada. Dom José disse que apenas a criança que estava grávida não sofreria punição. Ao saber do conteúdo das críticas do ministro, dom José Cardoso riu. "Não sei o que querem dizer com 'dogmático'. Sou um religioso que obedece à Bíblia e que segue com Jesus Cristo. O que dizem são palavras soltas", declarou, dizendo não temer retaliações da sociedade. "Quem é cristão praticante aceitará a decisão. Acho importante a liberdade de religião, mas a lei de Deus deve estar acima de tudo".

Com expressão serena, mas firme, dom José Cardoso reafirmou a condenação do aborto em qualquer situação, dizendo que "nenhuma lei dos homens deve contrariar a lei de Deus". Para o líder religioso, apesar de os médicos avaliarem que a gestante corria sérios riscos de vida, havia chances de os dois bebês nascerem. Segundo ele, a criança, caso não tivesse sofrido aborto, poderia ter sobrevivido até o sexto mês de gestação e, assim, poderia ser submetida a um parto cesariano, de modo que as três vidas fossem salvas. "Não se poderia optar pela morte. A lei de Deus é não matar. Não se pode fazer exceção alguma. Mesmo que a mãe corresse o risco de morrer, não se justifica matá-los", explicou.

O caso da menina grávida de Alagoinha, no Agreste pernambucano,trouxe à tona novos dramas familiares no país. Na cidade de Iraí, norte do Rio Grande do Sul, uma garota de 11 anos também teria sido vítima de abuso do padrastro e está grávida de sete meses. A menina gaúcha era criada pela tia de sua mãe biológica e pelo marido dela. O caso chegou ao conhecimento do delegado do município em dezembro do ano passado, mas só foi divulgado agora. Desde a semana passada, a criança está internada na ala de gravidez de risco moderado de um hospital da cidade e, ao contrário da pernambucana, deve dar à luz.

Segundo o arcebispo dom José Cardoso, o estupro é um "crime gravíssimo", mas não mais grave que o aborto. Pela norma do Direito Canônico, realizar aborto é motivo de excomunhão latae sententia (sentença imediata, sem julgamento - em latim) tanto a quem pratica ou coopera. "O aborto é um crime contra uma pessoa inocente que não dá o direito de a vítima se defender", justificou.

Via

Comentários